Par ascoltar la stòria, clica soto:
La casa dei Noni - Ademar Lizot
Revision: Loremi Loregian Penkal e Juvenal dal CastelAudio: Jaciano Eccher
Pag. 16 del libro Ricordi dei Nostri Noni
La casa vècia dei me antenati riposa calma sora i monti ntela Serra Gaúcha. Adesso, intorno a ela no ghe ze pi el giardin dela Nona Carolina e gnanca el vignal del Nono Umberto. Rento dele so vode parede, la ga metesto via solche i segreti del passà. Dela cosina, no se sente pi el odor del formaio e ne dela polenta drio brustolar ntel fogon. Cossì, sbandonada, la par na signora sentenària, con la fàcia piena de pieghe e i òcii persi ntel infinito. Magari, ze ancora davanti dele so parede che vao in serca dele me radise, par meio capir la me orìgene e, anca, par domandarghe se la ricognosse ntel mio viso qualche segno, qualche indìssio dela brava gente che la ga visto nasser e morir.
Adesso, squasi sento ani fà, dopo de una quantità infinita de sforsi, i la ga alsada su de tàole de pin, taiade par longo de sìnque metri e, dopo, i ghe passà calsina par che le duresse depì. La fondassion la zera de sassi, taiadi e metesti a posto con caprìssio, pròpio par durar depì de sento ani, compagno le finestre de guagiuvira ben fate e le porte de angico ben taiade. La gavea due cosine. La prinsipal la zera rento dela casa e, quel’altra, spartia dela casa, col fogon de matoni. Ntel primo piano ghera la stansa e la scala con diese scalini, che la portea ale càmere dei leti. Rento questa casa sémplisse, se anca poco còmoda, ghe zera rispeto in abondansa.
Sempre che vao trovar la casa vècia dei noni, vedo la crudeltà del tempo, nostro vero nemigo che porta via i sentimenti e ne dà indrio solche silénsio e scapoere. Alora, in quel momento, davanti dele so parede, me fermo in completo silénsio, con la ilusion de poder scoltar qualche vose del passà, fursi la vose meso grave, meso rauca del Nono, fursi quela ornata de dolcessa dela Nona. Però, par ària, scolto sol el strèpito del vento, che el fà na vècia nina nana ai so fantàsime. Quel rumor el me fà ricordar dela casa bela e granda, col vignal de ua bresiliana e el giardin, coi pi bei fiori, margherite gialde, garòfoli rossi, tulipe asule e rose de una bianchessa splendorosa, come la fàcia dela Madonina.
Adesso, squasi sento ani fà, dopo de una quantità infinita de sforsi, i la ga alsada su de tàole de pin, taiade par longo de sìnque metri e, dopo, i ghe passà calsina par che le duresse depì. La fondassion la zera de sassi, taiadi e metesti a posto con caprìssio, pròpio par durar depì de sento ani, compagno le finestre de guagiuvira ben fate e le porte de angico ben taiade. La gavea due cosine. La prinsipal la zera rento dela casa e, quel’altra, spartia dela casa, col fogon de matoni. Ntel primo piano ghera la stansa e la scala con diese scalini, che la portea ale càmere dei leti. Rento questa casa sémplisse, se anca poco còmoda, ghe zera rispeto in abondansa.
Sempre che vao trovar la casa vècia dei noni, vedo la crudeltà del tempo, nostro vero nemigo che porta via i sentimenti e ne dà indrio solche silénsio e scapoere. Alora, in quel momento, davanti dele so parede, me fermo in completo silénsio, con la ilusion de poder scoltar qualche vose del passà, fursi la vose meso grave, meso rauca del Nono, fursi quela ornata de dolcessa dela Nona. Però, par ària, scolto sol el strèpito del vento, che el fà na vècia nina nana ai so fantàsime. Quel rumor el me fà ricordar dela casa bela e granda, col vignal de ua bresiliana e el giardin, coi pi bei fiori, margherite gialde, garòfoli rossi, tulipe asule e rose de una bianchessa splendorosa, come la fàcia dela Madonina.
A Casa dos Avós - Ademar Lizot
A casa velha de meus avós repousa calma sobre os montes da Serra Gaúcha. Agora, em seu entorno não
existem mais as flores da Nona Carolina e nem as uvas do Nono Umberto. Dentro de suas paredes vazias, os segredos do passado permanecem bem guardados. A cozinha não exala mais o cheiro do queijo e da polenta sendo preparados na chapa do fogão. Assim, abandonada, tem a aparência de uma
senhora centenária, com a face enrugada e olhos perdidos no infinito. Apesar disso, é em frente às suas paredes que vou em busca de minhas raízes, para melhor entendimento de minhas origens e, também, perguntar-lhe se ela reconhece em minha face algum sinal, um indício da brava gente que ela viu nascer e morrer.
Atualmente, passaram-se aproximadamente 100 anos, dos infinitos esforços, em que foi construída com tábuas de pinheiro, serradas com cinco metros de comprimento e tratadas com “calsina” para aumentar sua durabilidade. A base era feita em pedras, cortadas e colocadas no lugar com capricho, exatamente para durar mais de cem anos, da mesma forma que as rígidas janelas de guajuvira e as portas de angico cortadas sob medida. Haviam duas cozinhas. A principal era dentro da casa e, a outra, separada da casa, com o fogão de tijolos. No primeiro pavimento encontrava-se a sala e
a escada com dez degraus, que permitia acesso aos dormitórios. Nesta casa humilde, apesar do pouco conforto, o respeito existia abundantemente.
Sempre que vou visitar a velha casa dos meus avós, percebo a crueldade do tempo, nosso verdadeiro inimigo que apaga sentimentos e devolve somente silêncio e capoeiras. Então, naquele momento, frente a frente com suas paredes, medito em silêncio, com a ilusão de ouvir alguma voz do passado, talvez meio grave, meio rouca do avô, talvez aquela carregada de doçura da minha avó. Porém, no ar, ouço somente o estrépito do vento, a fazer uma cantiga de ninar aos seus fantasmas. Esse estrépito faz-me recordar da bela e grande casa, com parreiras de uvas brasileiras e o jardim, das mais belas flores, entre margaridas amarelas, cravos vermelhos, tulipas azuis e rosas de uma encantadora brancura, semelhantes à face da Nossa Senhora.
existem mais as flores da Nona Carolina e nem as uvas do Nono Umberto. Dentro de suas paredes vazias, os segredos do passado permanecem bem guardados. A cozinha não exala mais o cheiro do queijo e da polenta sendo preparados na chapa do fogão. Assim, abandonada, tem a aparência de uma
senhora centenária, com a face enrugada e olhos perdidos no infinito. Apesar disso, é em frente às suas paredes que vou em busca de minhas raízes, para melhor entendimento de minhas origens e, também, perguntar-lhe se ela reconhece em minha face algum sinal, um indício da brava gente que ela viu nascer e morrer.
Atualmente, passaram-se aproximadamente 100 anos, dos infinitos esforços, em que foi construída com tábuas de pinheiro, serradas com cinco metros de comprimento e tratadas com “calsina” para aumentar sua durabilidade. A base era feita em pedras, cortadas e colocadas no lugar com capricho, exatamente para durar mais de cem anos, da mesma forma que as rígidas janelas de guajuvira e as portas de angico cortadas sob medida. Haviam duas cozinhas. A principal era dentro da casa e, a outra, separada da casa, com o fogão de tijolos. No primeiro pavimento encontrava-se a sala e
a escada com dez degraus, que permitia acesso aos dormitórios. Nesta casa humilde, apesar do pouco conforto, o respeito existia abundantemente.
Sempre que vou visitar a velha casa dos meus avós, percebo a crueldade do tempo, nosso verdadeiro inimigo que apaga sentimentos e devolve somente silêncio e capoeiras. Então, naquele momento, frente a frente com suas paredes, medito em silêncio, com a ilusão de ouvir alguma voz do passado, talvez meio grave, meio rouca do avô, talvez aquela carregada de doçura da minha avó. Porém, no ar, ouço somente o estrépito do vento, a fazer uma cantiga de ninar aos seus fantasmas. Esse estrépito faz-me recordar da bela e grande casa, com parreiras de uvas brasileiras e o jardim, das mais belas flores, entre margaridas amarelas, cravos vermelhos, tulipas azuis e rosas de uma encantadora brancura, semelhantes à face da Nossa Senhora.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Gostou?Comente aqui e se possível inscreva-se.