Incoi parlo un poco, par meso de parole nostàlgiche, sora la careta dei boi e la so importansa in campagna. Presente tanto ntel laoro, come ntele feste, incoi la ze diventada cosa de museo e ogeto de colessionadori, ma, in un passado gnanca tanto distante cossì, zera una cosa comum e la ghe fea parte del quotidiano dele fameie rurali.
Son nassesto ntel 1985 e, in Três Palmeiras-RS, cossí come i altri paesi dela region dove mi son slevà, le carete le zera doperade con tanta frequensa, almanco fin ai ùltimi ani dela dècada de 1990. Dopo de questo, pian pian, le ze state smentegade.
Par el laoro de campagna, spessialmente ntei posti ciamadi de “tere dopiade” — o sia, tera piena de riva in su e riva in zo sensa pianure, e, parquesto, difìssil de girar con màchine che se move col motor — la careta la gavea una grande importansia. Non solche la careta, ma, in questi posti, praticamente tute le màchine le zera tirade par forsa deli animai.
In certi stadi del Brasil, le zera tirade par cavai o mui; ntel caso dei boi, se doperea le giunte. Mi particolarmente, mai go visto, ntela me region, de pi de una giunta de boi drio tirar una careta, solche una. Giunta ze el nome che se da ala “dòpia de boi” che la ze ligada fra i boi par meso de un echipamento de legno, con gàncii fati de metal e/o busi par picar la careta, el varsor e altri atresi, questo mestier el ze ciamà de zugo (o giugo).
Le carete le zera doperade par transportar le panòcie de mìlio, catade manualmente, fin i capanoni pìcole casete rùstiche dove se metea rento i grani, panòcie, magnar par le bèstie, fra altre cose. Anca la zera doperada par cargar i pie de fasoi, formento e fasol soia, portadi dei posti pi distante par esser metesti insieme, dove dopo zera fata la racolta con la trèbia.
In verità, la careta la zera doperada par transportar praticamente tuto in questi posti: dai grani che go parlà pena poco, fin al magnar dei pròprii animai, mercansie che vegnea dela cità, altre bestiolete compradi o vedesti, e tuto quel che se pol imaginar. Ma, sora tuto, la zera doperada par transportar persone ntele note de filò.
Romai gavemo parlá tante volte dei filò, ma, in risumo, i zera encontri festivi che i sucedea sempre ala note. Cossì, con la careta piena de persone, atresi musicai sémplici, qual'cosa da magnar o bever, un feral par s-ciarir la strada e tanta alegria, se ndea avanti par le pìcole e vècie stradete che le ze restade indrio, magnade par el svilupo. Con lu ze vegnesto anca i auti de lusso e le grande campagne moderne, che non ga pi bisogno dele carete— queste che incoi, tante volte, serve sol come banchi decorativi par noantri, qua dela cità, ndar in campagna far su ritrati e dopo meter su le rete sossiale.
A carroça de bois
Hoje falo um pouco, por meio de palavras nostálgicas, sobre a carroça de bois e sua importância na agricultura. Presente tanto no trabalho quanto no lazer, hoje ela se tornou peça de museu e objeto de colecionadores, mas, em um passado nem tão distante assim, era algo comum e fazia parte do cotidiano das famílias rurais.
Nasci em 1985 e, em Três Palmeiras-RS, assim como em outros municípios da região onde me criei, as carroças eram usadas com muita frequência, pelo menos até o final da década de 1990. Depois disso, pouco a pouco, foram caindo em desuso.
Para o trabalho no campo, especialmente em áreas conhecidas como “terras dobradas” — ou seja, terrenos com geografia acidentada e, portanto, de difícil trafegabilidade para máquinas motorizadas — a carroça desempenhava um papel fundamental. Não apenas a carroça, mas, nessas localidades, praticamente todo o maquinário era movido à tração animal.
Em alguns estados do Brasil, as carroças eram puxadas por cavalos ou mulas; já no caso dos bois, utilizavam-se juntas. Particularmente, nunca vi, em minha região, mais de uma junta de bois puxando uma carroça, apenas uma. Junta é o nome dado à “dupla de bois” que vai encangada, ou seja, ligada entre si por meio de um equipamento de madeira, com alguns ganchos metálicos e/ou furos para engatar a carroça, o arado e outros implementos, esse equipamento era chamado de canga.
As carroças eram utilizadas para transportar as espigas de milho, colhidas manualmente, até os chamados galpões — no Paraná, também conhecidos como tuias — pequenas construções rústicas destinadas ao armazenamento de grãos, espigas, alimentos para animais, entre outras coisas. Também serviam para carregar pés de feijão, trigo e soja, trazidos de locais mais distantes para serem reunidos em um único monte, onde depois eram colhidos com a trilhadeira.
Na verdade, a carroça era usada para transportar praticamente tudo nessas localidades: desde os grãos citados acima até alimento para os próprios animais, mercadorias vindas da cidade, outros animais quando comprados ou vendidos, e tudo o que se possa imaginar. Mas, acima de tudo, era utilizada para transportar pessoas nas noites de filó.
Já abordamos em diversas ocasiões o que é o filó, mas, em resumo, eram encontros festivos que aconteciam sempre à noite. Assim, com a carroça cheia de pessoas, instrumentos musicais simples, algo para comer e beber, um lampião para clarear a estrada e muita alegria, seguia-se cortando caminho pelas pequenas e velhas estradas que ficaram para trás, engolidas pelo progresso. Com ele vieram os carros de luxo e as grandes fazendas modernas, que não precisam mais de carroças — estas que hoje, muitas vezes, servem apenas como banco decorativo para nós, aqui da cidade, irmos até a roça tirar fotos e postar nas redes sociais.
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