Adamin (Adãozinho) e la so vita primitiva - Jaciano Eccher

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Adamin (Adãozinho) e la so vita primitiva - Jaciano Eccher


“Adãozinho”. Questo zera el so nome, el diminutivo de “Adão” (Adamo), un omo sémplice che la so vita non zera tanto difarente dela maniera da viver dei òmini dele grote. Lo ciamemo adesso de “Adamin”. Mi zero picinin e poco ricordo dela so maniera strània da viver, ma ciacolando con me mama, la me ga racontà un poco.

Adamin zera un vècio débole e tanto magro. Non gavea dona e gnanca fioi. El vivea solo in una vècia caseta circundà par boschi e monti. Sta caseta, in verità, la zera un capanon vècio pintà de negro con oio brusà. Sta caseta la zera situada ntele poche tere dei miei genitori. Questo ga sucesso là par i ani 1982, ancora prima de mi vegner al mondo.

Quando me pupà e me mama, Lucidio e Nair Ecker ga comprà le tere, dove ze da star la me mama fin incoi, romai gavea sto capanon negro. Alora, par tre ani, i ga dassà el Adamin viver in questo posto sensa nissuna paga, fin parché sicuramente gnanca el cognossea i schei.

Con la so vita sémplice, sensa sposa o fioi, el gavea bisogno de poco par viver e anca dei favori dei visigni. Ma la so vita la zera isolata e solitària. El piantea qualche cosa par magnar, come patate, fasoi e mandolini. Me mama ricorda che, sensa lusso nissun e manco ancora eletricità, sto vecieto el pichea i magnari ntei ciodi par via de protègerli dei rati e altre bèstie.

I miei genitori i zera pòveri. Gnanca lori gavea eletricità, ma par fortuna forsa par laorar e polenta par magnar sempre i ga buo. Alora, quando possìbile, i giutea con qualche magnar anca al Adamin. Un giorno, me mama ga dato a lu un viero con late. Nel giorno seguente, el ga ritornà ntela nostra casa domandando par giutarlo verzer questo viero. El motivo, secondo me mama, el zera massa fiaco de tanto magro e sicuramente el patia dela fame.

Adamin anca el gavea altri fradei, ma stesso lu, anca lori i vivea de situassion someiante, squasi primitiva, in casete donade par altre persone, sensa lusso, sensa mai cognosser la tecnologia e sensa gnanca una speransa de vita difarente.

L’ùnico ricordo che go de lu ze de ani dopo. In una giornada de piova, el ga ritornà ntela nostra casa par vender una padela vècia e sensa mànego. Me pupà ga rangià el mânego e par curiosità, me mama ga questa padela fin i giorni de incoi. Tanti ovi e formaio la ga frito.

Persone come el Adamin gavea sti ani, e non zera poche. La povertà, la mancansa de una strutura bàsica de fameia, sensa stùdio o modernità, ste persone squasi sempre le zera dassade de na banda e non vansea gnente sinò una vita isolata e primitiva.


Adãozinho e sua vida primitiva



“Adãozinho”. Esse era o seu nome, o diminutivo de “Adão” , um homem simples cuja vida não era tão diferente da maneira de viver dos homens das cavernas. Eu era pequeno e pouco lembro da sua maneira estranha de viver, mas conversando com minha mãe, ela me contou um pouco.

Adãozinho era um velho fraco e muito magro. Não tinha esposa e nem filhos. Ele vivia sozinho em uma velha casinha cercada por matos e montanhas. Essa casinha, na verdade, era um velho galpão pintado de preto com óleo queimado. Essa casinha estava situada nas poucas terras que meus pais possuíam. Isso aconteceu lá pelos anos de 1982, ainda antes de eu nascer.

Quando meu pai e minha mãe compraram as terras, onde minha mãe mora até hoje, já existia esse galp]ao preto. Então, por três anos, eles deixaram Adãozinho viver naquele lugar sem nenhum pagamento, até porque com certeza ele nem conhecia dinheiro.

Com sua vida simples, sem esposa ou filhos, ele precisava de pouco para viver e também da ajuda dos vizinhos. Mas sua vida era isolada e solitária. Ele plantava alguma coisa para comer, como batatas, feijão e amendoim. Minha mãe lembra que, sem luxo nenhum e muito menos eletricidade, esse velhinho pendurava os alimentos nos pregos para protegê-los dos ratos e de outros bichos.

Meus pais eram pobres. Nem eles tinham eletricidade, mas felizmente força para trabalhar e polenta para comer eles sempre tiveram. Então, quando possível, ajudavam também o Adãozinho com alguma comida. Um dia, minha mãe deu a ele um vidro com leite. No dia seguinte, ele voltou à nossa casa pedindo ajuda para abrir esse vidro. O motivo, segundo minha mãe, era que ele estava fraco demais de tão magro e certamente passava fome.

Adãozinho também tinha outros irmãos, mas assim como ele, eles também viviam em uma situação semelhante, quase primitiva, em pequenas casas doadas por outras pessoas, sem luxo, sem jamais conhecer a tecnologia e sem sequer uma esperança de vida diferente.

A única lembrança que tenho dele é de anos depois. Em um dia de chuva, ele voltou à nossa casa para vender uma frigideira velha e sem cabo. Meu pai concertou o cabo e por curiosidade, minha mãe tem essa frigideira até os dias de hoje. Muitos ovos e queijo ela já fritou nela.

Pessoas como o Adãozinho existiam antigamente, e não eram poucas. A pobreza, a falta de uma estrutura familiar básica, sem estudo ou modernidade, faziam com que essas pessoas quase sempre fossem deixadas de lado e não lhes restava nada além de uma vida isolada e primitiva.

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