Dolse Ricordo - Ademar Lizot

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Dolse Ricordo

Testo - Ademar Lizot
Revision - Jaciano Eccher


Adesso che, i ani i me pesa su par le spale, no so mia bon de desmentegar quel tempo che, ntele case, i oseleti i cantea soto le finestre e el soriso dele persone briliea ntele porte verte. Quando, intanto che le sigare, par sora dei muri antighi, le fea so cantorie, par le stradete le tose le caminea come poesia.

Nte quel indesmentegàbile tempo, ndea a scola insieme de due gemele, due tosete tanto bele, che parea fin che, la natura la ghe gavea trato par sora una sécia piena de belessa, al punto de nissuni saver dir qual zera la pi bela.

De orìgine tedesca, le gavea cavei col color del formento maduro e pel ciara come la brina de giugno che, ntel formoso viso, la distachea i lavri rossi de bambina e i òcii che, conforme el riflesso dela luce, ora verdolini, ora i tirea al blu. Par via dela granda someiansa, una la peteneva i cavei disposti in soave ondulassione e l'altra, li tegnea fati su come dressa.

Insieme a lore corsea el primàrio e, par via dela scola esser a depì de 5 chilòmetri dele nostre case, se ndea a caval. Lore due nte na cavala de gambe curte, mansa come na piegora e mi, nte un petisso meso rosso, con na macieta bianca che, la ghe corea del muso fin a le récie, anca quel boníssimo de rèdene.

Quando se rivea a la scola, le aiutea a desmontar e, ze stà cossì, viso a viso, che ntei òcii de quela che la portea i cavei fati su come dressa, go visto el segnal che la me volea ben. Hilda zera el so nome e anca mi la volea tanto ben. Ntela ora del intervalo tegnea la so manina, soave come el cuor de un oseleto e se magnea insieme el merendin: patate dolse, fete de bolo e ale volte, i gròstoli ornati col sùchero briliante che, la so cara mama fea. Però, quel afetuoso sentimento, che ntel vardar e ntel polsar del cuor, el alsea su la nostra emossion, lo gavemo portà avanti in assoluto segreto parché fora dela so sorela solche, la so cavala de gambe curte e el petisso cola macieta bianca ntel fronte, i savea del nostro inamoro.

Al final de corso primàrio, se gavea dódese ani de età, co`i fulgori dela adolessensa a spontar, a alsar su na emossion al fior dela pel. Quando se cambiea un ingènuo baseto, quel màgico momento fea le gambe tremar e vegner su la voia de a tuta vose dir che, se anca la poca età, zèrino morosi.

Però, a quel smorosamento tipicamente giovenil, manchea el permesso dei genitori, soratuto del so pupà, un tedesco che, el fea paura sol de vardarlo parché, fora che el gavea na certa fama de cativo, el portea la barba longa e tuta ingropada che, la parea fin un fasso de fen coì graspi a tremolar al vento, come se la so fàcia la stesse a brusar. Lu el zera anca de quei tedeschi che, i ghe piase bever bira e esser campion ntel giugo del bolon e, se anca el cognossea la mia fameia, no gavea mia el coraio de domangarghe el permesso.

Cossì, meso a scondion, cola speransa che la so sorela, la stesse cieta, gavemo portà avanti el nostro inocente e rispetoso inamoro, sempre atenti de no ciuciar mia el miel vanti del tempo. Ntei momenti in che, i nostri lavri i zera pericolosamente visini, se cambiea solche un svelto basseto e, quel el zera el nostro limite.

El nostro ingènuo romanse, no`l ga mia sopravivesto par tuta la nostra adolessensa parché, quando se gavea quatòrdese ani de età e, in fine el coraio par parlar con so pupà, el ga vendesto fora tuto e, i ze ndati via a le tere de Santa Catarina.

Ntel momento dela partensa, con una furtiva làcrima ntel viso, la me ga dito:

- No stà mai dementegarme, che mi te aspeterò!

Ntela corva dela rùstega stradeta, ela tuta bela,  col so vestito bianco de seda , la go vista alontanarse par sempre, menando insieme tuti i miei sogni de adolessente e assando solche i ricordi del nostro dolse e giovenil amor.

Doce Lembrança



Agora que os anos pesam sobre meus ombros, não sou capaz de esquecer aquele tempo em que, nas casas, os passarinhos cantavam sob as janelas e o sorriso das pessoas brilhava nas portas abertas. Enquanto isso, as cigarras, sobre os antigos muros, faziam seu concerto, e pelas estradinhas as moças caminhavam como poesia.

Naquele inesquecível tempo, eu ia à escola junto com duas irmãs gêmeas, duas meninas tão bonitas, que parecia até que a natureza havia derramado sobre elas um balde cheio de beleza, a ponto de ninguém conseguir dizer qual era a mais bela.

De origem alemã, tinham os cabelos da cor do trigo maduro e a pele clara como a geada de junho, que, em seus belos rostos, destacava os lábios vermelhos de menina e os olhos que, conforme o reflexo da luz, ora eram esverdeados, ora puxavam para o azul. Por causa da grande semelhança entre elas, uma penteava os cabelos em suaves ondulações e a outra os usava presos em tranças.

Junto com elas cursei o ensino primário e, como a escola ficava a mais de cinco quilômetros de nossas casas, íamos a cavalo. As duas montavam uma égua de pernas curtas, mansa como uma ovelha, e eu cavalgava um pequeno cavalo avermelhado, com uma mancha branca que lhe corria do focinho até as orelhas, também muito dócil de montar.

Quando chegávamos à escola, eu as ajudava a desmontar e foi assim, frente a frente, que nos olhos daquela que usava os cabelos presos em tranças, vi o sinal de que ela gostava de mim. Hilda era seu nome e eu também gostava muito dela. Na hora do recreio segurava sua pequena mão, suave como o coração de um passarinho, e comíamos juntos o lanche: batata-doce, fatias de bolo e, às vezes, os grostoli cobertos com açúcar brilhante que sua querida mãe preparava. Aquele afetuoso sentimento, que no olhar e nas batidas do coração fazia crescer nossa emoção, nós o levamos adiante em absoluto segredo, porque, além de sua irmã, apenas sua égua de pernas curtas e o meu cavalinho da mancha branca na testa sabiam do nosso namoro.

Ao final do curso primário, tínhamos doze anos de idade, com os fulgores da adolescência despontando, fazendo brotar uma emoção à flor da pele. Quando trocávamos um ingênuo beijinho, aquele mágico momento fazia as pernas tremerem e surgia a vontade de gritar para todo mundo que, apesar da pouca idade, éramos namorados.

Porém, para aquele namoro tipicamente juvenil, faltava a autorização dos pais, sobretudo de seu pai, um alemão que metia medo só de olhar para ele, porque, além de ter certa fama de mau, usava uma barba comprida e toda embaraçada, que parecia um feixe de feno com espigas balançando ao vento, como se seu rosto estivesse prestes a pegar fogo. Ele também era daqueles alemães que gostavam de beber cerveja e de ser campeão no jogo de bolão e, embora conhecesse minha família, eu não tinha coragem de lhe pedir permissão.

Assim, meio às escondidas, na esperança de que sua irmã permanecesse calada, levamos adiante nosso inocente e respeitoso namoro, sempre cuidando para não provar o mel antes do tempo. Nos momentos em que nossos lábios ficavam perigosamente próximos, trocávamos apenas um rápido beijinho e aquele era o nosso limite.

Nosso ingênuo romance não sobreviveu por toda a adolescência porque, quando tínhamos quatorze anos de idade e finalmente criei coragem para falar com seu pai, ele vendeu tudo e foram embora para as terras de Santa Catarina.

No momento da partida, com uma lágrima furtiva no rosto, ela me disse:

— Nunca se esqueça de mim, pois eu esperarei por você!

Na curva da rústica estradinha, ela estava toda linda vestida com seu vestido branco de seda , eu a vi afastar-se para sempre, levando consigo todos os meus sonhos de adolescente e deixando apenas as lembranças do nosso doce e juvenil amor.



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