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terça-feira, 20 de junho de 2017

Otanta ani de simplissità e generossità - Homenagem de aniversário em duas línguas

Nostro Fradel Ventura - Otanta ani de simplissità e generossità

El giorno dea nàssita

El giorno 21 de giugno de 1937, mei genitori ga mai smentegà, parché í ricordi de quel giorno í zera par sempre rento de so cour. Così quando se domandea de quel giorno, í fea óci de felicità par dir che l`éra un giorno fredo che mai, gávea brina sora el gramado, erba e piante, brina anca par sora dei querti de scandole, na brina santíssima e bela stesso neve. In quel giorno nel paeselo dei noni, “Linha Bonita”, qua ntel la provínsia de San Piero e rento dea casa dea nona Carolina, casa granda e maestosa, co´l vignal e el giardino pien de fiori, ga nassesto un bambin, belo, co´i óci del color de cielo lìmpido sensa nùvola e a quel bambin i ga dato un nome de simplissità e pace... Ventura.

La infansa insieme dei noni

Le note bele de luna piena ga s-ciara la so infansa, insieme dei noni, dei genitori e dei zii. Del nono Umberto, co so capel Nigro, barba Bianca, el ga scòlta stòriete che mai piú ga desmantegà, parche le storiete che í noni conta, ze le più bele del mondo. Dea nona Carolina, na santa dona, che nó podea sentir na bestema, el ga proa dei dolci ornati co´l zulchero brilianti e anca la zupa de agnolini, la polenta e la fortàia a molar par ària un odor quel fea fadiga spetar rivar el mesdì. A la domenega de matina, zera lu che andea insieme del nono a mesa e dopo ntea bodega, intanto che nono zughea le carte, el guadagnea gassosa e dolci. Anca tuti giorni, insieme del nono, andea in cantina el mèio posto dea casa, parché gávea le bote piene de vin e le bachete piene de Salam e osacol. L`é stato la in cantina che intanto quel nono fea so riposo dopo mesdì el nostro fradel se anca picoleto el ga volesto proar dea pipa del nono, el volea molar par ària na fumana, magari el ga squasi perso í sentimenti de tanto forte che zera la pipa. Così in quelo vero paradiso ga transcoresto so infansa insieme dea amabilità, dea dolcessa dei noni e zii che insieme dea gente simples dea colônia, ga alsa sú so caráter pien de bontà e generosità.

La giuventù nel tempo dea simplissità e dea generosità

Nel tempo che la simplissità e la generosità l`era piú forte che la rogansa e la impafia, el ga pasà so gioventu. Ntea cità de Arvorezinha ga vivesto ani bei dea so vita, co amici de sinserità e ntea cità de Ilópolis el ga incontra la sposa dea so vita persona de caráter pien de bontà e insieme a ela ga edificà na fameia bela, con fioi de ànima granda e cour pien de generosità. Questa ze la so fortuna, parche la meio richeza deo omo ze la felissità de sempre veder so fameia in torno dea tola par magnar e senar, tuti insieme fraterni e felisse e par questa felissità no bisogna de luxi de regali.

Ànima de tossatel

La trupa de otanta ani ga s-ciara í so cavei e adesso í ze del medesmo color de quela brina santíssima e bela stesso neve che gávea ntel piante nel giorno che ga nassesto, tutavia la simplissità e la amabilità ga mai cambia rento de so ànima, l` é sempre stesso de quando el zera tossatel, che andea a caval, menar milio al molin e dopo ritornea co la farina par la mama pareciar la benedeta polenta. El ze ancora quel tossatel che andea a messa insieme dei noni a doménega de matina e dopo casa ghe piasea scoltar le stórie e insegnamenti del zio Minguim. El ze ancora quel cristian che parla sempre in talian, la nostra lengua materna. Così bisogna dir a tuti quel nostro fradel Ventura l`é un omo felisse, parche el Signor lo ga regala co na ànima de umiltà e dolcessa e un cour pien de generosità e simplissità e questi tributi í ze el testimònio dea grandessa de un cristian.

Ademar R. Lizot

Português
            
        
Nossa mãe Luiza e nosso pai Toni, jamais esqueceram o dia 21 de junho de 1937, pois as recordações daquele dia estavam para sempre dentro de seus corações e quando eles relembravam aquele dia, eu via a felicidade em seus olhos e depois com as palavras saindo do coração, eles falavam que aquele dia foi frio por demais, havia geada por sobre os gramados, ervas e plantas, geada também por sobre os telhados das casas, meu pai dizia: “ L´éra na brina santíssima e bela stesso neve”. Naquele dia, la na terra dos nonos, Linha Bonita, aqui na Província de São Pedro, na nossa Pátria Gaúcha e dentro da casa da nona Carolina, casa grande e bela, com o vinhal e na primavera o jardim florido, nasceu um menino, belo, com os olhos da cor do firmamento quando límpido sem nuvens, este menino foi batizado com um nome de simplicidade e paz... Ventura.

A infância junto com os avós

As noites lindas de lua cheia iluminaram a sua infância junto dos pais, nonos e tios. O nono Umberto de chapéu preto, barba branca, era rei e Papai-Noel, deste nono ele ouviu as primeiras histórias, que jamais esqueceu, pois as histórias que os nonos contam, são as mais belas do mundo. Da nona Carolina, que nas palavras de meu pai, era “na santa dona, che no la podea scoltar na bestema”, ele degustou doces e grostolis cobertos com açúcar e depois a sopa de capeletti, a polenta e a fortáia. Aos domingos sempre acompanhava os nonos a missa e depois na bodega enquanto o nono jogava “el quatrilho, el tré- sete”, ele ganhava gazosa e doces. Também era o companheiro do nono na cantina, o melhor lugar da casa, pois tinha as pipas cheias de vinho, as botijas com suco de uva e as prateleiras repletas de salames e queijos. Foi na cantina, que o nosso irmão embora ainda criança, quis provar do cachimbo do nono, enquanto este fazia a sua “sesteta dopo mesodi”, porem quase desmaiou de tanto forte que era o cachimbo. Assim naquele verdadeiro paraíso passou sua infância, junto da natureza e da gente simples da colônia, no aconchego do amor, da doçura dos nonos, pais e tios. Nesta convivência fraterna ele formou o seu caráter, pleno de bondade e generosidade. A simplicidade e a verde mata temperaram seu sangue, por isso ele jamais esqueceu aquele lugar e aquele tempo.

A juventude em Arvorezinha.

No tempo em que a simplicidade e a generosidade eram muito mais fortes que a arrogância e a empáfia, nosso irmão cresceu e ficou moço. Na cidade de Arvorezinha passou sua adolescência e juventude, ali viveu anos felizes e fraternos, com amizades sinceras. Na cidade de Ilópolis, conheceu sua esposa, pessoa possuidora de caráter pleno de bondade. Depois junto a ela, formou sua família com filhos de alma grande e coração nobre. Esta é a sua fortuna, esta a sua riqueza, pois o maior tesouro de um ser humano é ter sua família sempre unida. A felicidade maior é vela em torno da mesa nas refeições, fraternos e felizes e para isso não carece de luxos nem de riquezas.

Alma infantil

A tropilha de 80 invernos foi lhe branqueando as melenas e agora os seus cabelos estão da mesma cor daquela “brina santíssima e bela stesso neve” que tinha la na Linha Bonita no dia em que nasceu, porem nem mesmo 80 invernos mudaram sua alma de menino, ele ainda é “quelo tassatel” que com nove anos ia a cavalo levar o milho no moinho e depois voltava com a farinha, “ par la mama far la benedeta polenta”. É ainda “quelo bambim” que todos os domingos acompanhava os nonos na missa. É ainda aquele jovem que na cidade de Arvorezinha montou a rádio transmissora em parceria com o amigo Marconi. É o filho amoroso que todos os dias, la na cidade de Tapejara, de “matina bonora vanti l`é séi” ia matear com o pai e a mãe,numa confraria de afeto e amor e sempre falando em Talian, “ la nostra lengoa materna, el idioma co la piú bela sonoritá del mondo”. É ainda a mesma pessoa que ao longo da vida, apesar das dificuldades e tribulações, sempre trazia felicidade ao coração de nostra mama Luiza. Assim posso afirmar a todos que mio fratèllo Ventura é um homem feliz, porque é possuidor de uma alma plena de humildade e um coração generoso e estes são os requisitos, os atributos, que fazem a grandeza de um ser humano.

Felicitações

Parabéns, estimado irmão, parabéns pelos teus 80 anos, paz, saúde e felicidades e obrigado pelo exemplo de simplicidade e generosidade para todos nos. Meu agradecimento especial pelas histórias que me contas, sempre com talento singular, porque nestes momentos as palavras lhe saem da alma e do coração e me transportam de volta ao tempo de nossos nonos, aquele tempo de simplicidade e autenticidade, tempo em que nem todo o ouro das minas da terra era suficiente para comprar a honra de uma pessoa.

O sentimento no coração e a imaginação na alma

Ao finalizar quero que saibas “caríssimo fratèllo” que neste dia especial que festejamos teus 80 anos, em que tantas pessoas amigas e queridas vieram te parabenizar, eu tenho o sentimento no coração e nas retinas da alma a imagem “del nostro pupà Toni”. Fecho os olhos e o vejo ali sentado, fardando sua bombacha preferida, aquela de brim, cinzenta sem luxo, chapéu tapiadito na testa e juntinho a ele, segurando em sua mão, “nostra mama Luiza”, sempre bela, a coração valente de nossa família, com eles “la caríssima zia Beba”, alma de anjo que te considerava como filho, “ el zio Bibi co so bicier de vin”, ele que tantas vezes te carregou no colo e também “el zio Minguin, el profeta dea nostra fàmeia”. Eles também te saúdam com votos de paz e felicidades.

Ademar R. Lizot

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